A História por trás do Groove
Do Rio de Janeiro a Brasília: uma vida pautada pelas batidas, pelas quatro cordas e pela energia da pista.
Meu nome é Mauricio de Alcantara Carvalho; MAC, portanto, são as minhas iniciais. Uso esse apelido desde criança quando vi meu falecido pai fazer o mesmo. Fiz 50 anos em 2023, sou carioca, mas... Brasília me conquistou completamente desde 2014, quando me mudei. Quando começo a refletir sobre minha própria história, me ocorrem perguntas do tipo "de onde vem esse meu DNA ligado à música, dança e etc já que, na minha família, ninguém trilhou esse caminho antes?". E para tentar responder, volto no tempo e lembro do contexto no qual estava inserido quando criança/adolescente.
Meus saudosos pais certamente não podem deixar de serem lembrados, pois sempre me incentivaram comprando instrumentos, permitindo que houvesse tempo do meu dia dedicado a essas atividades e demonstrando admiração por artistas. Além dos meus pais, minha inspiração no mundo da música era o meu irmão Ronaldo. Apesar de ter outros três irmãos além dele (que também contribuíram para a minha formação musical), a verdade é que ele, para mim, é como um segundo pai pois muito do que fiz na vida foi por querer ser como ele.
Quando criança, ouvimos muitos discos juntos, principalmente de rock (Beatles, Led Zeppelin, Deep Purple, etc) e black music (Commodores, Earth, Wind and Fire, Jackson Five, KC & The Sunshine Band, Michael Jackson, etc), além de vê-lo atuar com seus amigos no que chamávamos de "Equipe de Som" e frequentar festas onde dançavam os sucessos da época. Eu tentava fazer igual, montando as festinhas americanas no meu prédio e foi aí que começou minha carreira de DJ, usando o equipamento familiar: toca-discos Gradiente/Garrard com receiver Polyvox.
A Turma da Tijuca e o Rock Brasil
Quando nasci, meus pais moravam em frente ao estádio do Maracanã, mas, no final da década de 70, mudamos para o finalzinho da Tijuca, na rua Haddock Lobo, entre as ruas do Matoso e Barão de Uba e exatamente em frente ao Restaurante Divino, frequentado pela "Turma do Matoso" de Tim Maia, Roberto Carlos, Erasmo Carlos entre outros. Lembro que no início dos anos 80 chegaram a interditar a rua para gravar uma parte de um programa de TV sobre o Roberto Carlos, que eu assisti da janela da minha sala.
No meu prédio, moravam Sr Mota e Dona Luzia, sendo, esta, irmã de Tim Maia. Seu sobrinho, Eduardo, filho de Luzia, infernizou parte da minha infância - pior do que lembrar os maus momentos que tive com ele era lembrar o estado que minha mãe ficava por conta das situações que ele criava.
Também morou no início dos anos 80, no mesmo prédio, Sergio Melo - músico fantástico, atualmente tocando como baterista do Lulu Santos e do programa The Voice e que tive o prazer de reencontrar em Brasília no festival "Na Praia".
Além da 'aura' desses nomes todos, o começo dos anos 80 foi também o início da explosão do Rock Brasil, com o surgimento das bandas RPM, Paralamas, Legião, Titãs, Kid Abelha e etc. O rock, com sua 'veia' rebelde, caía como uma luva em adolescentes - ainda mais quando se coloca o contexto político do país, que saía de um regime militar e vivia movimentos como o 'Diretas Já'. Em 1985 tivemos o primeiro Rock in Rio, as grandes bandas internacionais lotavam estádios em seus concertos e ainda tínhamos as influências dos grandes nomes dos anos 70 - tudo isso forjou uma geração de roqueiros a qual eu certamente estava inserido.
As Quatro Cordas e as Picapes
Virei músico, tocando contra-baixo, na adolescência (meados/final dos anos 80) e meus primeiros passos com instrumentos foi através do meu grande amigo, Ika Zonis, que aparece na foto abaixo à esquerda (com guitarra); junto, estão meus amigos Renato Sapo e Fábio Rios.
Participei de várias bandas durante a adolescência e início da fase adulta. A primeira que levei mais a sério foi a Babyboom, com Mauricio Gielman, Jean Pierre Kuperman e Rodrigo Negrão. Depois vieram, Enigma7 e a Sinteze, na qual fiquei alguns anos e tive a oportunidade de fazer várias apresentações. Por outro lado, sempre curti dança de rua, festas, passinhos - época da explosão de Michael Jackson, Madonna e cia além de filmes como Fame e Breakdance, que fizeram muito sucesso.
Com 16 anos tive um grande revés: fui DJ em uma festa, que organizei com amigos, em um clube na Tijuca onde rolou pancadaria e destruição além de terem roubados todos os meus discos (e dos meus irmãos!). Após esse episódio, meu foco na música ficou apenas como instrumentista, mas eu sabia que, um dia, voltaria à discotecagem. Entretanto, nunca deixei de curtir bailes e, nos anos 90, era frequentador assíduo de uma festa que tocava muita black music (Charme) na Fundição Progresso - Lapa. Infelizmente, não tenho registro fotográfico da época...
Os Anos 2000: Do Palco ao Digital
No início dos anos 2000, participei da banda "Claro!" com Ricardo Macedo, Rodolfo Aguiar (Rod) e George Marcio Cardoso (Gema).
"Com influências diversas, a banda misturava guitarras distorcidas com violões, bateria nervosa e baixo sólido. Contava também com letras atuais e bem humoradas, sendo apreciada por diversas tribos"
- Release oficial da banda
Meu grande amigo Gema eu conheci na PUC; ambos éramos fãs do grupo canadense Rush e, daí para formar uma banda, foi um pulo. Gema estudou no colégio CEL, junto com Ricardo e conhecia Rodolfo da rua onde moravam, no Jardim Botânico. Investimos muito no projeto, com letras autorais escritas pelo Ricardo. O nome da banda foi motivo de processo judicial contra a operadora telefônica homônima; o processo não foi adiante e, infelizmente, a banda também não...
Em 2005, fui baterista da banda "Acesso Negado" com Paulo Carmargo, Sergio Castro, Aurelio Meziat e PC tocando covers pop rock nacionais e internacionais. Todos os integrantes da banda eram amigos e trabalhavam juntos na empresa Interquadram (softwarehouse com expressivo sucesso no mercado nacional de ERPs).
Ainda por volta de 2005 me associei a um grande amigo, de longa data, André Silveira.
Juntos montamos um negócio de DJ (B. A. M. G.) onde trabalhamos, com sucesso, por dois anos em festas (casamentos, 15 anos, etc) e eventos no Rio tendo também participado meu querido sobrinho, Pedro.
Nossa proposta tinha algo inovador na época: usávamos computadores (ainda não havia controladores com custo e desempenho razoáveis) e fomos alvos de alguns narizes torcidos por parte de outros DJs que, na época, tocavam de CDJ e Vinil, mas... era só questão de tempo a digitalização do meio musical, em todos os sentidos.
Entre 2008 e 2013, fui aluno de Dança de Salão em várias escolas, entre elas, a oficina de Ricardo e Katia Botto.
Nesta época, toquei também como DJ em bailes da Dança no Ponto de Encontro e, no Núcleo de Dança Renata Peçanha, fui um dos organizadores do Baile Open Zouk com Herika Pereira.
A Fase Brasília e a Família
Em 2014 fui morar em Brasília e participei de alguns projetos de banda - entre eles, a SoundBlaster, a BeatCoin e a Vertigo, de tributo ao U2. Nessas bandas, atuei cantando e tocando contrabaixo.
Além disso, participei da produção do festival Rock Around the Coin, com Luiza Hime com apresentações no pub O'Rilley e na ASBAC.
Em 2023 conheci o grupo de dança Charme Em Movimento (Netto, Brisa, DJ Billa entre vários outros), Priscila do Carmo, Ivan Jackson e diversos amigos dos Movimento Flashback e Movimento Charme do DF; graças ao apoio deles e à minha vontade de retomar a carreira por conta, inclusive, da minha filha mais nova (que, na pandemia, despertou a vontade de ser DJ), voltei a atuar profissionalmente em festas, oficinas de dança e eventos diversos.
Posso dizer que a música sempre esteve muito presente na minha vida, seja nas minhas andanças como músico, DJ, aluno de aulas de dança... mas, além da música, de 1990 para cá (sempre?!), tive o apoio da minha namorada, fotógrafa, companheira, empresária, esposa em tudo que fiz. Minhas vitórias são delas também, assim como a minha história. Tenho muita sorte de ter você ao meu lado e por você ser a mãe das minhas filhas - que também sempre me apoiaram.
Obrigado, amo vocês!